segunda-feira, 20 de abril de 2015

História de Bagé



A historiadora Elizabeth Macedo de Fagundes, médica em Bagé RS, apresenta este vídeo que conta um pouco de nossa história através de um belo acervo de fotos antigas.








O vídeo acima mostra um pouco de uma das passagens mais sangrentas da história do Rio Grande do Sul - a Revolução Federalista de 1893, que já foi citada em outro post neste blog por fazer parte de minha história pessoal familiar.


Expressões como maragato e pica-pau nasceram como formas depreciativas de se referenciar adversários políticos.


Contudo, muitos destes apelidos e xingamentos acabaram se tornando como forma de identificação, aceita pelos próprios depreciados. Isso aconteceu, por exemplo, com os farroupilhas, que eram chamados por este apelido pelos imperiais, por não possuírem uniforme militar, e lutarem com roupas "esfarrapadas". O nome virou símbolo dos revoltosos. No caso do Gumercindo Saraiva, tanto ele quanto seu irmão Aparício Saraiva, aderiram à Joca Tavares para combater o governo de Júlio de Castilhos. 


Popularizou-se, através da historiografia, que o lenço vermelho indica que o soldado era maragato, mas isto é mais uma lenda, pois o que fazia mesmo diferença era a posição política. Encare a expressão MARAGATO como seguidor de Joca Tavares e PICA-PAU como "castilhista", no caso da Revolução Federalista. Aqui, o link para uma foto verdadeira de Gumercindo e seu irmão Aparício, que não usavam lenços vermelhos, pois eram do partido "blanco" do Uruguai, mas que aqui eram maragatos dos quatro costados: 




(colaboração de um gaúcho no youtube.com)


Os termos Maragatos, Pica-paus e Chimangos não surgiram durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), mas sim durante as Revoluções Federalistas ocorridas no sul do país após a proclamação da república.
Na primeira revolução (1893-1895) entre os partidários federalistas (maragatos), liderados por Gaspar Silveira Martins e os republicanos (pica-paus) seguidores de Júlio Prates de Castilhos, presidente do Estado do Rio Grande do Sul, surgiram os termos maragato e pica-pau. 

O termo maragato foi a alcunha pejorativa atribuída pelos legalistas aos revoltosos federalistas, liderados por Gaspar da Silveira Martins, que deixaram o exílio no Uruguai e entraram no Rio Grande do Sul à frente de um exército. Como o exílio havia ocorrido em uma região do Uruguai colonizada por pessoas originárias da Maragateria (Espanha) que tinham hábitos semelhantes aos dos ciganos, os republicanos então, buscando caracterizar uma identidade estrangeira e mercenária aos federalistas, os apelidaram de maragatos. O lenço vermelho os identificava.

O termo pica-pau foi uma alcunha aplicada pelos federalistas aos republicanos que apoiavam o governo central e teria surgido em função das listras brancas do topete do pássaro, pois os governistas usavam chapéus com divisas brancas, que lembravam o topete do pica-pau e lenço de cor verde ao pescoço.

A cor verde era dos partidários do Império (pica-paus), mais tarde o general Flores da Cunha, ao fundar o Partido Republicano Liberal, adotou o lenço branco (chimango).
Já o termo chimango ou ximango surgiu no século XX. O chimango é uma ave de rapina, falconídea, semelhante ao carcará. Esse cognome, também depreciativo, foi dado pelos federalistas, liderados por Joaquim Francisco de Assis Brasil ao governistas do Partido Republicano Rio-grandense (PRR) na Revolução de 1923. 
O lenço de cor branca identificava os seguidores republicanos liderados por Antônio Augusto Borges de Medeiros.
Devido a essas e outras revoluções posteriores, no Rio Grande do Sul, os lenços vermelho e branco tornaram-se, respectivamente, como a representação de duas “bandeiras” ou ideais políticos, um significando a oposição ao governo e o outra a situação. 
No meio tradicionalista, muitos consideram essas duas cores, mais a preta do luto, como as únicas representativas da indumentária gaúcha sul-riograndense.



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