sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Piratini e os casais açorianos

"Se queres prever o futuro, estuda o passado." 
(Confúcio)


Durante um longo tempo estacionei minha pesquisa da história da Família, não haviam mais fontes, já havíamos esgotado os documentos de família, as histórias contadas pelos membros mais antigos e em uma oração eu coloquei nas mãos de Deus a continuação deste trabalho.
Certo dia precisando viajar a outra cidade próxima para consulta médica um amigo pediu que entregasse um livro a seu irmão que residia nesta cidade. Como a viagem duraria 4 horas de ônibus resolvi abrir o livro para passar o tempo.
E para minha surpresa e alegria sem fim ao folhear o livro encontrei ali várias gerações de ancestrais, era e ainda é uma fonte inesgotável de dados, sei que O Pai Celestial providenciou tudo para que eu pudesse dar continuidade na História da Família.
Esta preciosidade chama-se  "Povoadores de Piratini" escrito pelo inspirado Jayme Lucas d'Ávila, que agora sei que também partilhamos da mesma raiz genealógica.




Em 1494, Portugal e Espanha firmaram o Tratado de Tordesilhas. Por esse tratado, foi estabelecida uma linha imaginária, que corria no sentido norte-sul, distante 370 léguas a oeste do arquipélago do Cabo Verde. As terras que ficassem  a leste desta linha pertenceriam a Portugal e, a oeste, à Espanha. Assim, grande parte do Brasil de hoje todo o Rio Grande do Sul pertenceriam a Espanha. Passados mais de dois séculos do descobrimento é que chegam aos campos de Viamão as primeiras expedições, com o propósito de se estabelecer no Continente de São Pedro (Rio Grande do Sul).





A emigração de casais açorianos para o Brasil começou no Século XVII, quando 50 famílias constituídas por 219 pessoas embarcaram, no dia 29 de março de 1677, no barco Jesus, Maria e José em Horta, Ilha de Faial, com destino ao Grão Pará, atual Estado do Pará,.

Em meados do Século XVII começou a se realizar, por determinação das autoridades de Lisboa, uma bem sucedida experiência de colonização do tipo moderno mediante a fixação de famílias ao solo. Essa imigração em massa visava defender e povoar os atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pois a Coroa estava convencida que a melhor maneira de garantir a posse da terra era povoá-la. Assim, imigraram para o Brasil a partir de 1732 milhares de colonos ilhéus oriundos do arquipélago dos Açores.

Em 31 de agosto de 1746, o rei DOM JOÃO V de Portugal comunicou aos habitantes das ilhas dos Açores que a Coroa oferecia uma série de vantagens aos casais ilhéus que decidissem emigrar para o litoral do sul do Brasil. Nos termos de um edital fartamento distribuído pelas nove ilhas do arquipélago as vantagens do convite eram evidentes:
- "haverá um grande alívio nas ilhas porque elas não mais verão padecer os seus moradores, uma vez que vão diminuir os males da indigência em que todos vivem;"
- "haverá um grande benefício para o Brasil, já que os imigrantes irão cultivar terras ainda não exploradas."
O edital acenava com uma série de mordomias, a partir do "transporte gratuito até os citios que se lhes destinarem para as suas habitações. E logo que chegarem aos citios que haverão de habitar, se dará a cada casal uma espingarda, duas enxadas, um machado, uma enxó, um martelo, um facão, duas facas, duas tesouras, duas verrumas, uma serra com sua lima e travadeira, dois alqueires (27,5 litros) de sementes, duas vacas e uma égua. No primeiro ano se lhes dará a farinha, que se entende bastar para o sustento, assim dos homens como das mulheres, mas não às crianças que não tiverem 7 anos e, aos que tiverem até os 14, se lhes dará quarta e meia de alqueire para cada mês. Se dará a cada casal um quarto de légua em quadra, para principiar as suas culturas, sem que se lhes levem direitos nem salários algum por esta sesmaria. E quando, pelo tempo adiante tiverem família com que possam cultivar mais terra, a poderão pedir ao governador do distrito".

Sua Majestade definiu que o primeiro estabelecimento de casais açorianos seria feito na Ilha de Santa Catarina e nas suas vizinhanças, "em que a fertilidade da terra, abundância de gados e grande quantidade de peixes conduzem muito para a comodidade e fartura desses novos habitantes".

Em menos de um ano, 7.817 pessoas declararam o desejo de se transferirem para o outro lado do Atlântico. Uma Provisão Régia do rei DOM JOÃO V, de 9 de agosto de 1747, determinou ao brigadeiro JOSÉ DA SILVA PAES, então governador da capitania da Ilha de Santa Catarina, que tomasse cuidado em tratar bem os novos colonos: 

"O dito brigadeiro porá todo o cuidado em que estes novos colonos sejam bem tratados e agasalhados e, assim que lhe chegar esta ordem, procurará escolher assim na mesma Ilha, como nas terras adjacentes, desde o Rio de São Francisco do Sul até o Serro de São Miguel, nos altos da Serra do Mar, e no sertão correspondente a este distrito, com atenção porém que se não dê a justa razão de queixa aos espanhóis confinantes".

Muitos açorianos imigraram para o sul do Brasil porque a miséria grassava no Arquipélago, na era de Setecentos, como resultado do fraco desenvolvimento das ilhas na produção do trigo e do pastel (outrora, a sua maior riqueza), acrescido do excesso demográfico que atingiu um caráter cíclico nas ilhas maiores. Os açorianos aparecem na história do Brasil em diversas regiões e estão distribuídos pela Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, S. Paulo, Amazonas, Pará, Paraíba, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atualmente, vivem no Brasil 1 milhão e 200 mil portugueses, sendo a maior parte açorianos e seus descendentes.





Na década de 1780, a Vila do Rio Grande de São Pedro (hoje Rio Grande, RS), contava com três distritos, sendo: 1º distrito, a Vila de Rio Grande; 2º distrito, o Povo Novo; o 3º distrito, o Serro Pelado. O "Serro Pelado" ( atual Piratini) era uma grande área que abrangia, na época, extensão muito maior do que o atual município de Piratini. Esse local era uma elevação com 215 metros de altitude, localizado próximo a cidade de Cerrito, entre o Rio Piratini e o Arroio das Pedras, ainda tem hoje o mesmo nome e é visível por quem transita pela BR 293,na altura do km 45, a direita de quem viaja em direção a cidade de Pelotas.




A região no sul do Rio Grande do Sul era muito almejada por castelhanos no século XVIII, que insistentemente tentavam apropriar-se daquelas terras.


Esta insegurança, provavelmente tenha sido o principal fator que motivou o chefe militar Rafael Pinto Bandeira, a indicar a ocupação da área. A solicitação de Bandeira foi acatada pela rainha de Portugal, Dona Maria I, que ordenou em 06 de julho de 1789, a criação de um povoado naquele local.

As terras, pertencentes a José Antônio Alves, foram permutadas com aquele estancieiro.  A escolha dos açorianos deu-se devido ao seus conhecimentos sobre agricultura, que poderiam ser utilizados naquelas terras.

Eles ficaram estabelecidos a margem direita do Rio Piratinym Mirim (atual passo da Batalha). No local, produziam algodão, trigo, cevada e demais produtos. Havia um morador chamado Antônio José Vieira Guimarães, que devido a devoção dos açores a Nossa Senhora da Conceição, doou um terreno para construir uma capela para a santa.

Com a construção do local de orações, foi-se formando um núcleo nas proximidades da capela. A povoação, aproximadamente em 1790 foi denominada Nossa Senhora da Conceição do Piratinym.


Mesmo antes da instalação dos casais açorianos, a região já era ocupada por muitos criadores, com ou sem títulos legítimos. 
Ao todo foram 67 casais a quem foram concedidas datas de terras no distrito de Cerro Pelado (Piratini), conforme certidões de 6 de julho de 1789.
Os açorianos que vieram para Piratini, foram os troncos principais de grande parcela das famílias piratinenses.
Além dos casais de número ou casais d'El Rei, outras famílias vieram para Piratini, nos primeiros tempos do povoamento. Eram oriundos de diversas povoações do Brasil, Espanha,  Portugal e outros países.
A Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Piratini, criada em 1810, abrangia na sua área os atuais municípios de Piratini, Pinheiro Machado, Candiota, Hulha Negra e parte de Bagé. Quando foi criado o município, em 1832, incluía também Canguçu, Cerrito, Pedro Osório, Arroio Grande, Jaguarão, Herval e as outras já citadas.

A paisagem de Piratini lembrava e muito as paisagens de Portugal, e a arquitetura é uma das marcas deixadas pelos portugueses no Rio Grande do Sul.




Dentre estes estava meu hexa avô José Garcia de Vasconcelos, nascido na Ilha do Pico, Açores, Portugal, casado com Rita Gonçalves Coutinha, natural de Curitiba, PR. 
Meu avô materno Moacyr Garcia de Oliveira, casado com Maria Antonia Brião Cabrera era filho de Bernardino Anúncio de Oliveira e Francisca de Paula Garcia, filha de Joaquim Felix Garcia e Candida Garcia de Vasconcelos, ele, Joaquim Felix,  era bisneto de José.
José recebeu sesmaria com 2 léguas de comprido e 1 légua de largo em 20 de abril de 1797. Localizada na primeira orqueta do Piratini, dividindo-se ao norte com o Rio Piratini Menor, confrontando-se com a estância do Capitão Antonio Xavier de Azambuja.

Neste livro também descobri que a Família Sandim teve origem em Piratini através de Manoel Teixeira de Figueiredo que teria adotado o nome Sandim quando veio para a Colônia,  ele faleceu em 24 de dezembro de 1784 em Rio Grande com 60 anos. Seu filho Manoel Pereira Sandim casado com Euzébia Maria da Conceição são pentavôs do autor, e meus hexa avós. Meu bisavô materno do lado de meu avô, Bernardino Anúncio de Oliveira era filho de Bernardino Soares de Oliveira e Leonidia Lourença Sandim, que era neta de Manoel Lourenço Sandim, filho de Manoel Pereira Sandim.

Sandim é uma freguesia portuguesa do concelho de Vila Nova de Gaia, com 15,97 km² de área e 5 938 habitantes. Densidade: 371,8 hab/km². Em termos de área, é a segunda maior freguesia de Vila Nova de Gaia.
Imagens de Sandim, Portugal:









"O passado não reconhece o seu lugar, Está sempre Presente."
Mário Quintana

É importante deixar aqui meu agradecimento a Jayme Lucas d'Avila que pesquisou, organizou e publicou este tesouro que conta um pouco da história de nosso povo e apresenta uma genealogia completa de várias famílias desta região.
Fonte: 
D'Avila, Jayme Lucas. Povoadores de Piratini. Porto Alegre: Suliani letra&vida, 2007.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Revolução Federalista

Em minha Árvore Genealógica há um homem chamado Candido Garcia de Vasconcelos, seu nome tem se repetido por gerações da Família Garcia, a começar por minha trisavó Candida Garcia de Vasconcelos, sua filha.
Candido é até hoje alvo de uma polêmica a respeito da preferência política da família ea titudes durante a guerra, amado e idolatrado como herói por uns e odiado por outros, mas como julgar uma situação em que não se viveu?

Ele era um pica-pau  ou chimango (Pica-paus eram chamados, durante a Revolução Federalista de 1893 no Rio Grande do Sul, os opositores dos maragatos. Os pica-paus estavam no poder com Júlio de Castilhos e eram centralizadores com forte vínculo com o governo federal. Por razões políticas eclodiu a Revolução Federalista em 1893, em que a reação veio dos chamados maragatos ou federalistas, com visão descentralizadora.
O motivo do apelido veio por três motivos: a cobertura usada pelos militares que apoiavam essa facção, quando estes usavam listras brancas que, segundo os revolucionários, seriam semelhantes a um tipo de pica-pau do Sul do Brasil ; o chapéu usado por eles tinha a ponta fina e comprida, como um bico, com um penacho atrás, o que lembraria a ave e o barulho das suas armas parecia o da bicada de um pica-pau na madeira.)
Candido participou da Revolução Federalista na patente de tenente coronel. 
Abaixo um trecho de pesquisa sobre o momento de sua morte:



A Revolução Federalista foi um conflito armado ocorrido no Rio Grande do Sul entre 1893 e 1895. Trata-se de uma disputa política pelo poder do Estado do Rio Grande do Sul e que envolveu dois grupos políticos com ideias e doutrinas políticas diferentes. De um lado, estavam os seguidores de Julio de Castilhos, o qual já desenvolvia sua campanha republicana influenciada pelos ideais positivistas (chimangos). Do outro, aqueles que defendiam os ideais federalistas (maragatos pois usavam um lenço vermelho)e chefiados por  Gaspar da Silveira Martins apontado por Sérgio da Costa Franco como um “indivíduo de  personalidade dominadora, dotado de respeitável cultura e invulgar inteligência”.




A Revolução Federalista foi um dos episódios mais graves que a recém proclamada República no Brasil teve que enfrentar. Conforme destaca Sandra Pesavento, a guerra foi “caracterizada por atos de violência e bárbarie de ambas as facções, a chamada ‘Revolução da Degola’”(PESAVENTO, 1983: 09). 
Já para Cesar Guazzelli, tanto no Rio Grande do Sul como em todo o espaço platino, as guerras se caracterizaram pelo uso de armas brancas que substituíam  as escassas peças de artilharia e fazia parte da vida campeira dos peões, que se transformavam em  soldados durante os períodos revolucionário.



Bagé sediou o que ficou conhecido como "O cerco de Bagé", entre novembro de 1893 e janeiro de 1894, os republicanos, comandados pelo coronel Carlos Maria Silva Telles, buscaram abrigo na Catedral São Sebastião. Bagé era um alvo importante. Era uma das maiores cidades do Estado, sediava uma importante guarnição militar, tinha ligação por trem com Rio Grande e situava-se em posição estratégica em relação à Campanha e à fronteira.  Além disso, era a terra dos Tavares- líderes chimangos e de Silveira Martins- líder maragato, principais lideranças maragatas, que faziam de Bagé um dos centros da conspiração e sede do Partido Federalista, uma das frentes de oposição a Castilhos.
Natural, portanto, que, ao primeiro refluxo dos rebeldes, os republicanos tratassem de assegurar o controle da cidade. Natural, também, que fosse Bagé o primeiro alvo do general Joca Tavares em seu retorno ao campo de batalha, depois de refazer suas forças em território uruguaio.
Ele retorna em novembro de 1893, à frente de quase três mil combatentes. Ataca em duas frentes. De um lado, Zeca Tavares, seu irmão, toma a estação ferroviária de Rio Negro a 20 quilômetros da cidade, guarnecida por 500 soldados comandados pelo general Isidoro Fernandes.
A outra frente cerca a cidade, desde o dia 24 de novembro era possível avistar os piquetes de lanceiros federalistas defendida por pouco mais de mil combatentes, sob as ordens do coronel Carlos Maria da Silva Telles. A população, pouco mais de 20 mil moradores, foge da cidade levando o que é possível.


O coronel Telles se prepara para o pior: requisita a comida disponível no comércio, manda construir trincheiras ao redor da praça e concentra ali a resistência. Nas bocas de rua, arma barreiras com fardos de lã, terra, pedras e paus.
Durante quase um mês, os federalistas mantêm o cerco a distância. Depois apertam. Ocupam chácaras do subúrbio e entram na cidade. Tomam o Teatro 28 de setembro, a Beneficência Italiana, o Mercado Público, os quartéis, a Rua Barão do Rio Branco e a Enfermaria Militar. Em poucos dias toda a cidade é dominada, menos a Praça da Matriz.
Telles dispunha de batalhão e um regimento de Artilharia, uma companhia de engenheiros, um batalhão da Brigada Militar e um corpo de transporte, comandado por Bento Gonçalves da Silva Filho (neto do líder farroupilha).
Tinha também dois corpos provisórios, gente da Guarda Aduaneira e, a partir do momento em que apertou o cerco, um “batalhão republicano” com voluntários civis. O coronel tem ordens expressas de Floriano Peixoto para resistir até o fim.
Corre na cidade sitiada uma notícia apavorante: as forças de Isidoro Fernandes haviam sido massacradas no Rio Negro, com mais de trezentos prisioneiros degolados. Começa a faltar comida; Há deserções, as fugas se dão pela zona sul da praça, onde era mais fácil chegar ao cemitério que ficava a 600 metros. Joca Tavares ordena que o cerco se feche num “cinturão de ferro e fogo”. Quando o sítio completa um mês, Joca Tavares manda propor ao coronel Telles que se entregue sob garantias. O coronel nem discute: “Vocês é quem devem depor as armas, porque estão fora da lei. Garanto a todos a anistia ampla!”.
O natal foi terrível. Atordoada, Bagé enterrava mortos civis atingidos por balas perdidas, chorava as vítimas de violências, saques, incêndios e arrombamentos. Já não havia sequer figos crus e caruru para cozinhar na água e sal. A farinha e as últimas bolachas estavam reservadas para os feridos amontoados na nave central da igreja.
Para aliviar a fome, já se matavam gatos e cães, e o próprio comandante da resistência manda matar seu cavalo para alimentar a tropa. Fome, sede e doenças substituíram a famosa degola na tarefa de abater o inimigo. Quando a situação parecia insuportável, chegam informações de que duas divisões do Exército se aproximam para socorrer Bagé. Com a aproximação dos reforços solicitados pelas tropas castilhanistas,  em cinco de janeiro de 1894, Joca Tavares resolveu promover o ataque final. Derrubando muros e perfurando paredes, os maragatos avançaram. Informado da ação, o coronel Carlos Telles antecipou a defesa, colocando abaixo paredes de dois prédios que ainda não haviam sido alcançados pelos rebeldes. O tiroteio foi intenso até que os legalistas dispararam os canhões e uma descarga de granadas contra a linha federalista.
            Na noite de sete de janeiro, começa a ser desfeito o cerco, e os federalistas seguem desolados para Santana do Livramento. Antes de o dia raiar, um vulto se aproxima das trincheiras, solitário, e diz aos cansados e famintos soldados: “Bom dia! os revolucionários deixaram a cidade”. Eles haviam resistido 47 dias de cerco. Telles envia um telegrama ao ministro da Guerra: “Tivemos o desprazer de vê-los em debandada e mal montados, sem terem tentado o ataque decisivo pelo qual tanto ansiávamos...”. No seu boletim, registrou 34 mortos (quatro oficiais) e 91 feridos.
O episódio mais marcante ocorrido durante a revolução foi   foi à batalha do Rio Negro,no dia 03 de novembro de 1893, feriado municipal hoje em Hulha Negra, local da batalha.  Nesta batalha morreram aproximadamente trezentos combatentes, trinta deles degolados. Dentre eles estava o chimango Candido Garcia, cujo sangue corre em minhas veias. 


Este fato, a degola, é o que mais tem sido motivo de comentários a respeito deste episódio. Consta que dez mil combatentes, federalistas e republicanos, durante sete dias travaram uma batalha no local. 

A Revolução Federalista de 1893 foi um deprimente episódio da história gaúcha, uma conflagração com a finalidade política de acabar com as pretensões monarquistas de retomar o poder num estado em que este sistema de governo tinha a simpatia da maioria da população. Os métodos sangrentos usados tinham o objetivo da intimidação, porém a Degola do Rio Negro, como ficou conhecida, foi uma desforra pessoal entre líderes. Conta a história que invadida a fazenda de Zeca Tavares, um dos líderes vitoriosos da batalha do Rio Negro, por Maneco Pedroso, foi deixada sobre sua cadeira uma cabeça de porco e um bilhete no qual estava escrito: Tua cabeça será minha. Esta a razão da desforra que deu margem à Degola do Rio Negro, às margens da Lagoa da Música. Esta é apenas uma versão dos supostos fatos. 









A história relata que uns trezentos republicanos pica-paus  foram degolados em suas margens e os maragatos, vencedores, atiraram muitos mortos na lagoa.
Diz a lenda que o último degolado era um rapaz muito, valente como as armas, clarim da força derrotada. Ao ser degolado, ainda correu para lagoa, levando seu clarim - clarim que ele gosta de tocar até hoje, nas noites de lua clara.
Joca Tavares, contando com cerca de 3000 homens, cercou um grupo de 300 chimangos, aproximadamente. Os mesmos são levados para uma mangueira de pedra e ali mantidos como reféns. Surge então, Latorre. Dentre os prisioneiros, estava seu desafeto Maneca Pedroso. A sede de vingança se espalhou a todos os prisioneiros, e, com a ajuda de mais capangas, foi dado início a degola.

Um a um, foram sendo trazidos os prisioneiros e postos de joelho, de costas para Latorre. O mesmo, inicialmente transfixava-lhes o pescoço com um punhal de quinze centímetros. À medida que o tempo passava, já todo banhado de sangue, partiu para a técnica da “criolla”, onde a faca é passada de orelha à orelho, cortando as artérias e garganta, tudo de uma só vez.
Um dos últimos a serem mortos, foi o Cel. Manoel Pedroso. Relatos da época, narram como se deu o último diálogo entre os dois:
“- Cel. Pedroso: Adão, quanto vale a vida de um homem valente e de bem?
- Adão Latorre: De bem… não sei. A vida de um homem vale muito, a tua não vale nada porque está no fio de minha faca e não há dinheiro que pague.
- Cel. Pedroso: Pois então degola “negro filho da puta”. Dito isso segurou-se a um arbusto, levantando a cabeça para facilitar a tarefa ao inimigo.”

Dizem ainda que o Coronel pediu a Adão para que entregasse um anel de seu uso a uma filha residente em Pelotas, segundo informações foi cumprido o feito por Adão Latorre.










O clímax do conflito se deu quando os gasparitas tomaram Santa Catarina e juntaram-se aos insurgentes da Revolta da Armada, que invadiram a cidade de Desterro (hoje Florianópolis). Subseqüentemente apoderam-se do Paraná e de Curitiba, contudo, depois de tanto tempo de luta, estes se encontram desfalcados, calculam as perdas e ganhos que poderiam advir se continuassem com os ataques e decidem recuar, centralizando as forças na região gaúcha. O conflito se estende até o ano de 1895, quando o novo presidente – Prudente de Moraes - celebra uma conciliação de paz.

Júlio de Castilhos retoma o poder perdido - concedido pelo governo -, e o Congresso indulta os co-autores do levante. Assim termina mais um conflito nascido no começo da república.



Fonte: 








Família Drummond- Histórias

“Um Cavaleiro Templário é verdadeiramente, um cavaleiro destemido e seguro de todos os lados, para sua alma, é protegida pela armadura da fé, assim como seu corpo está protegido pela armadura de aço. Ele é, portanto, duplamente armado e sem ter a necessidade de medos de demônios e nem de homens”.
                                                         Bernard de Clairvaux


Família escocesa, documentada desde o século XIII, da qual saíram os condes e duques de Perth, os duques de Roxburghe, e (em linhas femininas) os condes de Ancaster e a casa real dos Stuarts. A lenda faz com que descendam dos reis húngaros da dinastia de Árpád, por sua vez supostos descendentes diretos de Attila.  O nome vem do gaélico druim, “costas,” de onde Druyman, “montes ondulados,” “montes com picos,” expressão que se reflete no desenho de suas armas.
Procedem de João Escorcio Drummond, natural do Reyno de Escócia, e filho de João Drummond Senhor de Estobal, e irmão de Anabella mulher de Jacobo IV, Reis de Escócia; dos quais procederam os da Grã Bretanha.
Os Drummond são um clã da Escócia, originários da região central do país e membros da nobreza local desde a alta Idade Média. Os castelos escoceses de Drummond (em Muthill, perto de Crieff) e de Stobhall (perto de Perth) são atualmente propriedades de famílias desse clã. Alguns membros vieram para o Brasil, especialmente os de um ramo que primeiro emigrou para a Ilha da Madeira no século XV. O Brasão de armas da família foi passado a Diogo Pires Drummond seu bisneto, por El Rey D. João III., em 19 de Março de 1538.
Viveu na Villa de Santa Cruz, onde casou com Branca Afonso, Irmã do 1º vigário daquela Collegiada, e naturais da vila de Covilhã em Portugal. Tiveram larga  e nobre descendência.


John Drummond era um dos  Cavaleiros Templários, filho de John Drummond e Elisabeth Sinclair, neto materno de Henry Sinclair, veio no século XV, para a Ilha da Madeira.
 A Ordem dos Os Cavaleiros Templários foi criada em 1118, na cidade de Jerusalém, por cavaleiros de origem francesa, a Ordem dos Templários tornou-se, nos séculos seguintes, numa instituição de enorme poder político, militar e econômico. fizeram voto de pobreza e de castidade. O seu símbolo passou a ser o de um cavalo montado por dois cavaleiros. Em decorrência do local de sua sede, do voto de pobreza e da fé em Cristo, surgiu o nome da Ordem: Os Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou simplesmente Cavaleiros Templários.

Segundo a lenda, nos primeiros nove anos de existência, eles se dedicaram a escavações feitas em sua sede. E nestas escavações, eles encontraram documentos e tesouros que os tornaram poderosos. Convém ressaltar que o Templo de Salomão era o local mais santo dos Judeus e era riquíssimo. Antes do segundo templo ser destruído pelos romanos, em represália a um levante judeu contra o poder de Roma, os sacerdotes teriam enterrado grande parte da riqueza como forma de evitar que fossem tomadas pelas legiões.

A história também diz que eles ficaram com a tutela do Santo Graal, o cálice onde foi coletado o sangue de Jesus Cristo na cruz, e o mesmo que foi usado na última ceia.

Graças ao empenho deles na defesa da Cristandade, ao heroísmo e à coragem demonstrados em inúmeras batalhas, e devido à absoluta conduta correta adotada, os locais que guardavam tornaram-se locais extremamente seguros e qualquer recinto protegido pela cruz da Ordem aparecia como se fora um oásis. Um lugar protegido pelo Senhor.

Era tal a confiança que despertavam que não tardou para que suas instalações se transformassem em estabelecimentos bancários, ainda que informais, fazendo deles entre os séculos XII e XIII, os principais fornecedores de crédito a quem os poderosos da época recorriam. Assim foi que se gerou a lenda da fortuna fabulosa do Tesouro dos Templários. Valentes até a temeridade e depositários de imensas fortunas, foram alvos da cobiça do Rei Felipe, o Belo, da França, que premido por necessidade de dinheiro, pois devia uma soma considerável à Ordem e em conseqüência das incessantes guerras que movia aos seus vizinhos e temeroso do poderio dos Cavaleiros Templários, resolveu apoderar-se dos bens da Ordem.

Acusados de heresia perante a inquisição, os Templários foram denunciados por possuírem um esoterismo particular, sendo caluniados, espoliados e martirizados, retiraram-se para a Escócia, Inglaterra e Portugal, onde se juntaram à Maçonaria.

Segundo consta,  seu avô Henry Sinclair conhecia o Continente Americano.

A ligação entre os Sinclairs e os Templários já remonta a própria fundação da ordem. O fundador e primeiro Grão-mestre da Ordem do Templo, Hugo de Payens, foi casado com Catherine St Clair. Hugo e Catherine visitaram as terras dos St Clair de Rosslyn e lá estabeleceram a primeira comendadoria dos Templários na Escócia, no qual se tornaria o quartel-general naquele país. Além do casamento entre Hugo e Catherine, muitos outros St Clairs foram iniciados na Ordem do Templo, assim como grandes doações a Ordem foram provenientes desta família. 
Essa ligação foi tão forte que, depois da queda dos Templários, muitos cavaleiros conseguiram refúgio seguro na Escócia como já foi citao. Haja visto que, nessa mesma época, a Escócia fora excomungada. Muitos templários acabariam ajudando então a Robert the Bruce na famosa batalha de Bannockburn, no dia 24 de junho de 1314 (dia de São João). Nessa batalha a forças de Robert romperam os grilhões com a Inglaterra. Uma sociedade secreta contemporânea chamada "Scottish Knight Templar" – Cavaleiros Templários da Escócia – ainda hoje comemora a batalha de Bannockburn na Capela Rosslyn o dia em que “o véu foi levantado dos Cavaleiros Templários”. Um dos cavaleiros templários que lutou ao lado de Robert the Bruce foi Sir. William St Clair, morto em 1330 e enterrado em Rosslyn. Esta famosa batalha fora narrada, de forma romântica, no filme “Coração Valente”, estrelado por Mel Gibson, onde o mesmo interpreta o papel de William Wallace, herói local na época que lutava pela independência da Escócia.





Origens da Família Oliveira em meu sobrenome- Família Drummond da Escócia


A geração das mulheres de minha família é rica em histórias, a começar pela ancestralidade de minha mãe. Meu avô materno Moacyr Garcia de Oliveira, era neto materno de Joaquim Felix Garcia, que era trisneto de Manoel d'Avila Machado e Isabel Maria, ela era neta de Felicio José Rodrigues, que era neto materno de Ana de Medeiros, ela era neta materna de Sebastião Pedro Fagundes Varella II, um personagem da  história brasileira.

Nascido em 30 de outubro de 1678, em Candelária, RJ, Brasil, Residiu em Minas Gerais em tempo de solteiro, tendo sido casado  com dona Clara dos Anjos  irmã de D. Maria dos Anjos, mulher de Caetano Pinto, teve três filhos. Assim, o batismo deve ser procurado no livro da Sé, e não da Candelária. 

Sebastiao Fagundes Varela erigiu a capela de São Sebastião, e seu concunhado Caetano Pinto de Castro a de São Caetano, que se converteram em matrizes das respectivas paroquias.

O Arraial de São Sebastião nos primeiros tempos chamava-se de Sebastiao Fagundes. Todas as capelas foram consagradas pelo Padre Gonçalves. ”Ele era neto materno de Gracia da Costa e Capitão Francisco de Oliveira Vargas, ela era neta de João de Souza Pereira Botafogo e Maria da Luz Escórcio Drummond (História que será contada posteriormente).

Maria da Luz Escórcio Drummond era neta de Sir John Drummond V e Branca Afonso da Cunha.
Segundo consta no Armorial Lusitano, a família Drummond é originária da Escócia. 
João Drummond ou João Escórcio (John Drummond V) foi para a Ilha da Madeira e lá deixou descendência que se espalhou no reino português e suas colônias. 

Ao que parece casou duas vezes. A primeira com Catarina Vaz de Lordelo e a segunda com Branca Afonso. Seus descendentes apuraram que João Escórcio era filho segundo da Casa Drummond de Stobhall (Escócia), cuja varonia e primogenitura oriundas de Walter Drummond se conservaram até 1878, quando então morreu o sexto Conde Perth (último representante dessa linha). Os descendentes dessa Casa na Madeira, Açores e Brasil pretenderam se habilitar à herança da família, o que não conseguiram por falta de documentação comprovadamente autêntica. No entanto, o livro GENEALOGY OF THE MOST NOBLE AND ANCIENT HOUSE OF DRUMOND (Edimburgo-1831), publicou correspondências (1519, 1604, 1634) entre os membros descendentes de João Escórcio e da família Drummond de Stobhall, algumas em latim. O Arquivo Histórico da Madeira traduziu-as e publicou-as no seu volume III. Nessas cartas, aos parentes portugueses, os escoceses confirmam que um filho segundo do Lorde Drummond (irmão da rainha Arabela da Escócia) fora em 1420 para a França, atrás de glórias e honras e que dele nunca mais tiveram notícias. Como por essa época aportou na Ilha da Madeira um João Escórcio (apelido tirado da Escócia) que deixou na sua descendência o apelido Drummond, supõem-se ser o tal, filho da Casa Drummond de Stobhall.

Muitas são as histórias que cercam este homem e seus ancestrais, aos poucos contarei aqui estas histórias de cavaleiros e reis.


Fonte: http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/804797.html
http://martin.romano.org/ps04/ps04_351.htm








Dicas para pesquisa

Para procurar quem são os seus ancestrais, primeiramente você deve começar coletando dados da fonte mais próxima e confiável de que você dispõe: as pessoas da sua família, especialmente os mais velhos. Tire o máximo de informações possível! Em especial dados como nome completo (de solteira no caso das mulheres) e datas e locais de nascimento, casamento e morte. Esses dados são muito úteis porque servem para você encotnrar os registros dessas pessoas.

Sabendo onde a pessoa nasceu, você pode solicitar ao cartório local (você encontra o catálogo de todos os cartórios no site do Ministério da Justiça em http://www.mj.gov.br/CartorioInterConsulta/index.html) as certidões de nascimento, casamento e óbito dos seus ancestrais. Tenha preferência pelas certidões "com inteiro teor", que reproduzem exatamente o que está escrito no livro de registro, enquanto as normais apresentam apenas uma síntese. As certidões normais devem custar por volta de R$ 18,00 e as com teor R$ 35,00.

Os cartórios começaram a existem em 1860 mais ou menos, e se tornaram obrigatórios após a Proclamação da República. Antes disso, a instituição responsável pelos registros era a Igreja Católica. Por isso, para ancestrais anteriores a essa data, você deve procurar nas paróquias, dioceses e arquidioceses de onde foram feitos os registros. Um imenso catálogo de dioceses e arquidioceses, com seus respectivos endereços e telefones, está em www.catholic-hierarchy.org.

Outra grande fonte de informações são os Centros de História Familiar (CHF) administrados pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (também conhecido pelas siglas IJCSUD e LDS ou por mórmon). Eles contêm microfilmados milhões de registros de cartórios de todo o mundo, inclusive das pessoas que não são mórmons. Procure um templo mórmon na sua cidade e pergunte pelo CHF. Lá eles vão poder te ajudar bastante. Nesses microfilmes, o que você vai encontrar são cópias dos livros de registro, como se você tivesse ido ao cartório ou à igreja e começasse a folhear os livros. Assim, você pode encontrar e transcrever você mesmo as certidões, em vez de solicitar ao funcionário do cartório. Em geral, para usar o serviço do CHF há um custo de R$ 4,00, e você pode ficar com o microfilme por dois meses.
Também administrado pela Igreja  Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias há o site www.familysearch.org que disponibiliza inteiramente gratuito um banco de dados imenso cobrindo o mundo inteiro com imagens de documentos disponíveis on line para pesquisa e ainda o modo FamilyTree que possibilita a construção  de sua árvore genealógica e o armazenamento de dados sobre sua família, incluindo fotos, histórias e documentos. Também há aplicativos para dispositivos móveis. O site dispõe de uma equipe de missionários que auxiliam nas dificuldades com o ambiente do mesmo. O nº para contato desta equipe de suporte é 0800 891 6465, todos os dias da semana das 6:00 até as 22:00.

Vale também a pena entrar para uma lista ou grupo de discussão especializado. Deles, participam genealogistas amadores e profissionais, que se ajudam mutuamente. Geralmente, são pessoas muito dedicadas a essa arte, e que gostam muito de auxiliar aqueles que estão começando. No Yahoo! Grupos, há vários deles, entre os quais destaco o grupo Origens (br.groups.yahoo.com/group/Origens).

Construir uma árvore genealógica é meio cansativo e tem certo custo (com certidões, telefonemas etc.), mas é algo que é realmente fascinante e empolgante. Vale muito a pena!






Fonte: http://www.gabriel.soledade.nom.br/genealogia/dicas.html

Nossas Origens

“Quando nosso coração se volta para nossos antepassados, algo muda dentro de nós. Sentimos que fazemos parte de algo que é maior que nós mesmos."
 Élder Russell M. Nelson

Ao pesquisar a História de minha Família sinto-me próxima de pessoas que viveram há tanto tempo atrás e que estão longe de mim temporalmente para próximas pelos laços familiares.
Um misto de gratidão, emoção, fé, responsabilidade nos invade ao "Conhecermos" nossos ancestrais.
A diferença entre fazer História da Família e Genealogia é esta: ao buscarmos a História da Família queremos nos aproximar dos indivíduos e os conhecermos,  e ao fazermos somente genealogia procuramos nomes...



Erros na pesquisa familiar

Ao nos depararmos com os desafios da pesquisa familiar, podemos cometer alguns erros que poderão acarretar em desânimo, perda de tempo e inf...